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Rumos das tecnologias de transmissão de áudio

As tecnologias básicas que possibilitam qualquer pessoa efetuar uma transmissão de áudio não são recentes e já existem há alguns anos. O que está impulsionando as webradios hoje são dois fatores principais, a largura de banda nos acessos à internet e as novas implementações dessas antigas tecnologias de streaming.

1 - Largura de banda dos usuários e acesso à internet

O que está mudando hoje é a largura de banda das pessoas, que só tem aumentado. Em 1997 e 98, por exemplo, a maior parte dos acessos domésticos à rede tinha a velocidade de 14.4 a 33.6 kbps (kilobits por segundo), o que não é suficiente para que você possa navegar na internet tranquilamente ao mesmo tempo em que escuta uma rádio online. Hoje, a maioria dos acessos é a 56 kbps e banda larga, que possibilitam tanto que você navegue pela internet e escute uma webradio quanto faça sua própria transmissão.

Além disso, com o boom das telecomunicações de 98, ficou muito mais simples de se conseguir uma linha de telefone fixo. Um aspecto lamentável dessa facilidade foi o aumento excessivo das tarifas, decorrente da privatização e da monopolização do setor.

O aumento da largura de banda e a possibilidade de ter uma linha telefônica torna mais fácil o acesso de rádios comunitárias na internet, que poderão agora obter e fornecer conteúdo de áudio. E não é somente isso: pela internet, uma rádio comunitária poderá se juntar com outras numa rede de intercâmbio de transmissões em tempo real. Nesse ponto talvez haja um choque com a Lei 9612-98 (Rádios Comunitárias), que não permite a formação de redes. Não é só essa parte da 9612 que precisa ser mudada para se adequar às rádios comunitárias, se é que uma legislação deste tipo seja necessária.

2 - Novas implementações das antigas tecnologias

Como já foi dito, a tecnologia da transmissão de áudio em tempo real não é nova e remonta ao tempo em que surgiu o formato de áudio comprimido MP3, que desencadeou uma pequena revolução na indústria fonográfica. A própria transmissão de áudio em tempo real pode ser entendida, trocando em miúdos, como um arquivo de mp3 sendo baixado e reproduzido no computador do usuário poucos enquanto é criado no lado do transmissor.

Agora vamos nos deter um pouco sobre como é essa tecnologia. Como o projeto radiolivre.org só opera com software livre (que é outra questão interessante e tem muitos paralelos com a democratização das telecomunicações), não serão citados os sistemas proprietários existentes na área de streaming, assumindo que as rádios livres e comunitárias usarão plataformas livres.

Existem hoje duas formas de fazer sua transmissão pela internet e ambas são até certo ponto idênticas do ponto de vista do ouvinte. A primeira delas é o sistema centralizado, onde há um computador agindo como servidor. Esse servidor possui uma conexão rápida com a internet e é ele que recebe as transmissões feitas e as envia para os ouvintes. Nesse caso, apenas o servidor precisa ter uma conexão rápida com a internet, pois é ele quem vai cuidar do envio do streaming para os ouvintes. Tanto a pessoa que estiver fazendo a transmissão quanto os ouvintes não precisam ter uma conexão muito rápida.

Esse sistema permite que, mesmo a partir de uma linha telefônica comum, seja feita uma transmissão de áudio pela internet que pode ser recebida por várias pessoas ao mesmo tempo, independente da velocidade da conexão discada que o transmissor está utilizando.

O número de ouvintes que poderá acessar sua transmissão só dependerá da conexão do servidor. Apesar de parecer simples, um servidor de webradio desse tipo não é uma coisa muito fácil de se conseguir, principalmente no brasil, onde o preço da conexão com a internet é ainda muito alto. As pessoas que tem acesso via banda larga podem montar seus próprios servidores, mesmo assim o número de ouvintes será limitado, a não ser que se juntem várias conexões de banda larga para esse fim.

O outro sistema, que ainda é bem recente, é chamado de distribuído, já que ele utiliza os esquemas das redes p2p (peer to peer - ponto a ponto) para criar uma rede onde a demanda por transmissões é distribuída aos próprios ouvintes, aliviando o uso da banda do servidor.

As redes p2p são utilizadas, por exemplo, em sistemas de compartilhamento de arquivo e funcionam segundo o seguinte princípio: disponibilizo em meu servidor de arquivos um filme grande e muitos usuários começam a baixá-lo. Como cada usuário consome um pouco da velocidade da minha conexão, conforme o número de usuários aumenta toda a minha conexão com a internet fica comprometida. Se eu uso um sistema p2p inteligente, porém, os usuários que já baixaram a maior parte do meu filme começam automaticamente a distibuí-lo entre os outros usuários que estão baixando, e a demanda pela minha conexão pode diminuir. Essa tecnologia é conhecida como swarming.

O funcionamento de um sistema de webradios p2p é análogo e o número de ouvintes da sua rádio não vai interferir na largura de banda do servidor, desde que o sistema esteja bem configurado.

Fazendo a transmissão

Do ponto de vista de quem faz a transmissão, o material necessário para fazê-la, sem contar com o transmissor, é:

  - Um computador (Pentium II ou superior)
  - Uma placa de som (não precisa ser profissional,
    só precisa estar funcionando bem)
  - Uma conexão com a internet
  - Fontes sonoras, como mesa de som, toca fitas, toca cds, microfone

Também é possível utilizar mais de um computador. É possível construir um estúdio pra uma rádio via internet com muito e com pouco equipamento e inclusive usando computadores que não sejam de última geração.

Existem dois textos um pouco mais técnicos sobre como montar uma webradio e um servidor de webradio. Eles ainda não tratam com a devida atenção aos sistemas distribuídos de streaming:

http://docs.indymedia.org/view/Sysadmin/WebRadios
http://docs.indymedia.org/view/Sysadmin/IceCastPtBr

Convergência de tecnologias

Outras tecnologias que podem ser integradas ao streaming:

- Podcasting: uma nova tecnologia que permite aos usuários
  baixarem programas de rádio pré-gravados em seus aparelhos
  do tipo iPod para ouvi-los quando desejado.

- VoIP: Voz sobre IP, que nada mais é do que telefonia
  integrada pela internet. O uso das tecnologias de streaming
  com as de VoIP permitirão que rádios tenham acesso a informações
  de qualquer parte do mundo, inclusive as que carecem de
  acesso à rede.

- Softwares de automação e controle de rádios: existem softwares
  que permitem o controle de uma estação de rádio remotamente:
  não é mais indispensável estar no estúdio para poder programar.
  Também é possível deixar um programa tomando conta de uma rádio,
  tocando músicas e vinhetas periodicamente ou de modo pré-agendado.

- Redes wi-fi: a internet sem fio permitirá que se faça o
  streaming não só a partir de estúdios ou locais onde há telefone
  fixo. Com um laptop e uma placa wi-fi é possível transmitir, por
  exemplo, uma passeata ou uma festa de rua, que pode ser recebia
  via internet no estúdio da emissora e então retransmitida em FM.
  As possibilidades são enormes.

- TV e rádio digital: estamos numa época de definição dos padrões
  de televisão e rádios digitais. Existem certas escolhas que
  precisam ser feitas, como pela alta definição ou quantidade de
  canais (ou estações). Caso se escolha a segunda opção - algo que
  é dificil se levarmos em conta a vontade dos grandes monopólios
  - uma televisão ou aparelho de rádio poderão receber inúmeros
  canais ao invés dos atuais sete, o que permite a transmissão
  de conteúdo da internet e alocação de espaço para emissoras
  comunitárias.

Rádio via internet e rádio convencional

Uma pergunta que surge, depois de uma rápida olhada nessas tecnologias, é a seguinte: será que as rádios via internet realmente se integrarão com as rádios comunitárias e será que os usuários de internet passarão a ouvir mais rádios de internet?

Em parte isso dependerá da democratização dos conhecimentos necessários para a montagem de webradios. As tecnologias estão aí e o custo do equipamento e da transmissão são relativamente muito mais baratos do que outros meios convencionais de comunicação. Também dependerá da vontade das pessoas em transmitir seus próprios programas e não apenas de se contentar como telespectadores.

Quem busca liderança de audiência certamente não ficará empolgado em montar uma webradio, já que atualmente a audiência típica é da faixa de dezenas e não milhares ou milhões de ouvintes por webradio.

Hipermídia

Aqui esbarramos na questão, que talvez seja a grande questão dos meios de comunicação do futuro, que é a hipermídia, a possibilidade de cada cidadão e cidadã de montar sua própria emissora de rádio ou televisão, resultando numa enxurrada de informações que tende a distribuir mais a audiência: suponha que, num futuro otimista, o acesso à internet se torne realmente popular e que grande parte da população consiga acessá-la assim como hoje é possível receber uma transmissão de TV. A possibilidade então de todos os habitantes de um local produzirem e receberem qualquer tipo de programação, na quantidade e no momento que desejarem, será a forçante necessária para substituir nosso viciado mecanismo de concessão dos meios eletromagnéticos atualmente utilizados.

Comments

Gostei

Gostei muito desse texto sobre web rádio, nele se encontra um texto completo explicado muito bem todos os detales. Só gostaria de saber como andão os processo de rádio digital, como vai funcionar esse sistema e que tipo de padrão o brasil e o mundo pretende usar?
obrigado
Carlos Freitas

Fontes

Carlos, você pode acompanhar todos esses processos lendo o Clipping FNDC, http://www.radiolivre.org/aggregator/sources/15