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Um Sonho Fora do Ar

Em Fevereiro de 2005, às 19 horas, entrava no ar a 103,5 FM, uma rádio livre que veio para fazer um serviço totalmente comunitário.

O texto a seguir é de autoria de Rafael Alves, rapaz de 25 anos, primeiro a criar um site voltado para a região do sudoeste goiano. Aqui ele descreve sua experiência com a política das rádios-livres e as também chamadas rádios-comunitárias, uma experiência que esteve por poucos meses no ar. Nele, Rafael encanta-se com o rito de fundação de uma comunidade livre, voltada especialmente para a difusão da música de qualidade, sem as peias que amarram o espaço radiofônico nas mãos dos poderosos que loteiam o espaço da comunicação.

Pelo seu caráter de manifesto contra a opressão, Rafael se põe a favor daquela massa que habita os rincões do Brasil e que é absolutamente refém da cultura massificada que interessa apenas à intelligentsia bem nutrida mas ignorante. No seu texto, ele antecipa o que seria uma comunidade de comunicação livre, onde todos pudéssemos escolher, ou ainda melhor, participar. O que mais caracteriza o seu texto é o engajamento político que é explícito, embora sempre respeitoso, dentro dos limites da honra em que assentam seus argumentos transparentes.

Vale ler sobre a experiência contada por ele porque a discussão sobre a democratização dos meios de comunicação está apenas começando mas ela sinaliza que as conquistas só chegam com disposição e crença.

“Em Fevereiro de 2005, às 19 horas, entrava no ar a 103,5 FM, uma rádio livre que veio para fazer um serviço totalmente comunitário, uma rádio diferente, com uma programação totalmente especial. Estava no ar a JATAÍ FM com músicas nacionais selecionadas, o melhor da música brasileira estava no ar.

Tem um ditado que diz, “TUDO QUE É BOM, INCOMODA”, não deu outra, a rádio foi crescendo em nossa cidade, nossa audiência foi aumentando a cada dia, devido, claro, a nossa programação, sem blá- blá- blá, sem usar os ouvidos dos outros como “pinico”.

A 103,5, mais conhecida como JATAI FM, é um sonho de 3 amigos jataienses que veio se realizar no ano de 2005. Sabíamos que mais cedo ou mais tarde teríamos a presença da PF e da ANATEL em nossa porta, mas o nosso sonho e o prazer eram ainda maiores: era levar a verdadeira música brasileira aos ouvidos de pessoas que, praticamente, estão em contato somente com a música sertaneja. Agora, pense você, sair de um sertanejo para um CARTOLA, por exemplo, é uma reviravolta totalmente radical. Mas estávamos vendo o resultado mais rápido que imaginávamos: a aceitação dos nossos ouvintes.

A 103,5 veio para mostrar o que seria a verdadeira rádio comunitária, não essas “radiozinhas” que estão por ai, de pura fachada, pura mentira. Políticos usando concessão de rádio comunitária para transforma-las em uma rádio comercial; isso que revolta o povo brasileiro. Quantas pessoas estão lutando no Brasil para montar uma rádio e servir à comunidade, ficam anos e anos tentando conseguir uma concessão, até ser vencidos pelo cansaço da humilhação e da falta de vergonha dos políticos. Em nossa cidade mesmo temos como exemplo a rádio 104,9 a única rádio comunitária da cidade, que na verdade de comunitária não tem nada. Já denunciamos essa rádio e os incompetentes da ANATEL não fizeram nada, nem mesmo responderam nosso e-mail dando uma posição de nossa denúncia. Por isso que o povo brasileiro fica revoltado; é a falta de interesse dos próprios órgãos públicos.

A rádio que diz ser comunitária estava gostando tanto de nossa programação, que até copiou o texto de duas vinhetas nossas, só para você ter noção; a rádio estava ligadaça em nossa programação.. RISOS

Quando foi no dia 04/06/2005, olha o que sempre esperamos, a presença da PF em nossa emissora: mas vou falar a verdade, eles foram muito educados, chegaram em nossa emissora o sr. delegado da PF e um agente, com muita postura e bem discretos. Chegaram, entraram para meu escritório e conversamos bastante. Ele nos disse que naquele momento estava ali porque não agüentava mais tanta ligação das outras emissoras na delegacia; ele tinha tanto trabalho que as emissoras da cidade não estavam deixando ele desenvolver em paz. A partir daí, ele pediu para ver a “possibilidade” de desligar o transmissor, porque na verdade ele não estava a fim de nos “sacanear” fazendo a apreensão do equipamento caso fosse solicitado pela ANATEL

Após essa conversa, ele conheceu nossa emissora, nosso transmissor, e foi embora, após o que reunimos toda nossa equipe, ficamos no ar mais 6 horas e paramos de transmitir. Mas estamos com toda a documentação pronta para enviar a ANATEL é claro, esperando um dia poder voltar a tocar a verdadeira música brasileira, e poder levar às pessoas da comunidade a verdadeira cultura e o espaço na radiodifusão. Aqui fica o meu abraço a todos aqueles que um dia ouviram nossa programação... VALEU”

Fonte: http://www.bocalivre.org
http://www.midiaindependente.org/pt/blue//2005/08/327636.shtml

Comments

Notável!

Fiquei impressionado com a bravura de vcs. Vcs fizeram o que tinha
que ser feito e assumiram as consequencias. Isso é um exemplo de
profissionalismo que poucos podem dar. Parabéns. Eu faria o mesmo,
assumiria os mesmos riscos, só nao sei se teria a mesma sorte com
o delegado...

Fica aqui o meu abraço.

Cacá Morales
www.gravando.com.br
www.radioage.gravando.com.br