MST na mídia paranaense – Uma análise feita sobre os Sem Terras

Andressa Cristina Santos

MST na mídia paranaense – Uma análise feita sobre os Sem Terras
A partir do Telejornal Paraná TV 2ª Edição

O presente artigo está baseado no Trabalho de Monografia em jornalismo, no qual visou entender a forma de construir um movimento social, no caso o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) através de matérias veiculadas por Telejornal de expressão no estado do Paraná. A idéia central do trabalho visou identificar, através de três critérios pré-estabelecidos (a linguagem, a imagem e fontes), a forma de construção que o jornal se utiliza para transmitir seu posicionamento diante do MST.

Pois, falar de Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, atualmente sendo informados pela imprensa brasileira, é um caso complicado, pois atende a interesses de ambos lados. Um tentando informar aos seus telespectadores, ouvintes ou leitores, os métodos praticados pelos Sem Terras; o outro tenta através de suas atitudes, demonstrar a todos os brasileiros, os ideais que os impulsionam a entrar na luta, para um reforma agrária justa no País.
Para tanto, o primeiro passo na realização do trabalho, era identificar o histórico do MST, tanto no Paraná como no restante do Brasil. No estado o MST se forma através alguns fatores, como a criação da Usina de Itaipu, ou mesmo a grilagem praticada por muitos fazendeiros na década de 70. Já no restante do País, esses fatores são somados também com a expulsão de famílias de pequenos agricultores de suas terras. A partir daí, ocupações começam a acontecer por todo o País, mas de forma ordenada, representando o repúdio que os pequenos agricultores e posseiros tinham pelo governo militar, por este ter os abandonado à própria sorte, investindo maciçamente nos grandes latifundiários, através de subsídios2.

Outro passo a entender sobre o MST, era conhecer a forma de organização desse movimento, sendo dirigido por uma ordem nacional, onde há leis que devam ser cumpridas a rigor, tanto nos acampamentos, quanto entre as pessoas que já foram assentadas, além disso, aqueles que já possuem terras ainda devem pagar tributos ao movimento de 2 a 3%, sendo destinados para custear os ideais de todos os seus integrantes, ajudando assim, as pessoas que continuam morando debaixo de uma lona preta, que passam por sérias dificuldades, tanto por parte das condições precárias, quantos por jagunços de fazendas que passam por cima da lei e fazem as suas próprias.

A Reforma Agrária no Brasil, sempre foi um tema deixado de lado pelas autoridades governamentais, na medida em que, desde a chegada dos portugueses, e mesmo em 1880, quando os índios já lutavam para recuperar a posse de suas terras, que haviam sido invadidas por bandeirantes e colonizadores. Juntamente com os negros, os índios acabaram formando os quilombos livres.

No final do século XIX e início do XX, surgiram figuras como Antônio Conselheiro em Canudos, o Monge José Maria no Contestado e o Cangaceiro Lampião no nordeste brasileiro. Todos tinham a mesma intenção: lutar por uma reforma agrária no Brasil.

Além de identificar os aspectos que caracterizam o MST, como é conhecido hoje, precisava conhecer desde a formação da televisão brasileira, assim como, o telejornalismo, além de entender o funcionamento de um jornal diário televisivo e seu poder de abranger várias partes do País, levando informação a todas pessoas, nas quais muitas vezes se beneficiam apenas em assistir ao telenoticiário para conhecer os principais fatos do dia, em suas cidades, estados ou mesmo o Brasil.

O poder de difundir suas mensagens através de um telejornal de expressividade no Paraná, tornaram uns dos fatores de relevância desse trabalho, na medida em que, traça o perfil não apenas do jornal televisionado no Estado, mas também no restante do Brasil, onde a maioria das grandes empresas de comunicação utilizam o poder de difundir informações, e espalhar para todos os seus leitores, ouvintes e telespectadores seus posicionamento diante desse movimento.

O que mais ficou caracterizado nas matérias analisadas sobre o MST, é que primeiro, a maioria das notícias tratam apenas assuntos de invasões, de supostos crimes ambientais provocados por integrantes dos sem terras, de famílias sendo retiradas de áreas invadidas.

Isso é apenas representa um reflexo da maioria dos meios de comunicação brasileira, que denotam o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, de maneira pejorativa, deixando de lado a situação caótica que a questão fundiária representa, não apenas na atualidade, mas desde os primórdios do Brasil, onde grandes latifundiários, destroem áreas muitas vezes de preservação, para criarem mais gados ou plantações.