• warning: include(../orelha/yp.php): failed to open stream: No such file or directory in /var/www/data/drupal-6-php7/includes/common.inc(1769) : eval()'d code on line 4.
  • warning: include(): Failed opening '../orelha/yp.php' for inclusion (include_path='.:/usr/share/php') in /var/www/data/drupal-6-php7/includes/common.inc(1769) : eval()'d code on line 4.

INVESTIGANDO POSSIBILIDADES DE TUTORIA ESCOLAR NO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO

Tags:

José Edson Jornada Comis¹
Taniamara Vizzotto Chaves² -

RESUMO:
O presente artigo tem como propósito divulgar os resultados preliminares de um projeto de iniciação científica que visa levantar condicionantes, possibilidades e limitações para o estabelecimento da tutoria escolar no estágio curricular supervisionado nas Escolas de Educação Básica da cidade de Santiago, RS. Para tanto, a equipe do projeto se propôs a investigar e elaborar um diagnóstico inicial a respeito de alguns aspectos, a saber: processos de formação continuada de professores, processos de colaboração entre universidade e escola, estágios curriculares supervisionados e necessidades formativas dos profissionais que atuam nas Escolas de Educação Básica. Para efetiva realização desta pesquisa serão utilizados vários instrumentos de pesquisa (análise documental, questionários, entrevistas) que envolvem professores de física e matemática e equipes diretivas das Escolas, acadêmicos em formação inicial, bem como seus professores orientadores. Os resultados apontados neste artigo referem-se a um questionário e a uma entrevista realizados com membros de 5(cinco) Escolas de Educação Básica da cidade de Santiago. Tais resultados apontam para o estabelecimento imediato de parcerias efetivas entre escolas e universidade na perspectiva de que se concretize a proposta de tutoria escolar para a formação inicial de professores.

INTRODUÇÃO:
O presente trabalho consiste na descrição de parte de uma pesquisa que ocorre na URI – Campus de Santiago, cujo objetivo principal é identificar os condicionantes para a tutoria escolar de professores de física e matemática em serviço nas Escolas de Educação Básica de Santiago, como uma nova proposta para o desenvolvimento dos estágios curriculares supervisionados, tendo em vista as novas atribuições da legislação brasileira em vigor nas instituições de ensino superior de nosso pais. Segundo tais atribuições atualmente está previsto para a efetivação dos estágios uma carga horária de no mínimo 400 h/aulas para cada acadêmico estagiário em todas as áreas da licenciatura plena.
Segundo o parecer 2/2002 do Conselho Nacional de Educação:
“O estágio obrigatório, a ser realizado em escola de educação básica, e respeitando o regime de colaboração entre os sistemas de ensino, deve ter inicio desde o primeiro ano a ser avaliado conjuntamente pela escola formadora e a escola campo de estágio. ”(CNE/CP 1/2002)

Com isso, fica claro a necessidade de as Escolas de Educação Superior e Escolas de Educação Básica trabalharem em consonância e de forma colaborativa, no sentido de formar novos profissionais que se adeqüem as exigências e necessidades da Educação Brasileira em geral, tendo a figura do professor regente como um tutor para o estagiário em formação.
As preocupações que deram origem a esta pesquisa decorrem da possibilidade das Escolas de Educação Básica não estarem preparadas ou sequer conscientes da realidade que ora se desenha em termos de formação inicial dos futuros profissionais.
Com o objetivo de contribuir para superar possíveis impasses, a primeira fase desta pesquisa visa elaborar um diagnóstico referente às escolas de educação básica da cidade de Santiago no Rio Grande do Sul. Com este diagnóstico esperamos levantar concepções relativas aos seguintes aspectos: formação inicial e continuada de professores, estágio curricular supervisionado, necessidades formativas dos professores, formas de colaboração entre universidade e escola bem como tutoria escolar.

Segundo Pastore (1995), a sociedade é dinâmica, e a história construída pelos homens. Essa dinamicidade provoca desequilíbrio, crises e avanços em múltiplos domínios econômicos, político, tecnológico, científico, social, educacional e cultural etc. Tudo isso, exigirá do homem grande parcela de seu tempo para aprender a dominar inovações. Só haverá lugar para quem for capaz de aprender continuamente. A formação inicial e continuada dos professores constitui um dos grandes desafios e merece agenda especial.

Nóvoa (1991) sugere que a formação continua do professor deve considerar cinco teses: 1) alimentar-se de perspectivas inovadoras que tenham a escola como referência;
2) valorizar as alternativas participativas e de formação mútua;
3) alicerçar-se numa reflexão na prática sobre a prática, valorizados saberes dos professores;
4) incentivar a participação de todos os docentes e
5) investir na transformação qualitativa em vez de instaurar novos dispositivos de controle.
Tais teses nos fazem refletir especificamente sobre alguns aspectos que acreditamos estarem diretamente relacionados com a formação de professores.
Por exemplo, as necessidades formativas dos profissionais da educação em atuação, entendidas como o conjunto de saberes, conhecimentos, competências e habilidades que o professor deveria ter para conduzir a sua área de conhecimento, mas que por qualquer motivo não as tem, ou seja, estas necessidades são geradas ou instaladas a partir de problemas que professores detectam para o bom desenvolvimento de suas atividades na função docente.

Monteiro Apud Garcia (1999) coloca que as necessidades formativas dos professores são definidas como aqueles desejos, carências e deficiências percebidas pelos professores no desenvolvimento do ensino. Sendo assim, de acordo com esta perspectiva, representam autopercepções individuais em relação a dificuldades, problemas identificados de um modo individual ou coletivo.

Blair e Lange Apud Garcia (1999) afirmam por outro lado que uma necessidade é definida pela discrepância entre o que é prática (prática habitual) e o que deveria ser (Prática desejada), sendo assim, o critério de referência da necessidade não é tanto interior (autoconcepção), mas exterior, com base nos objetivos identificados pelo sistema.

Tais necessidades podem ser superadas à medida que o professor encare a perspectiva de formação continuada na busca de atualização curricular e pedagógica oportunizando assim a adaptação a práticas inovadoras e mais motivadoras.
Outro aspecto importante trata-se da relação a ser estabelecida com os acadêmicos, futuros profissionais da educação, como forma de colaboração entre a escola e seus profissionais e a universidade e seus profissionais. Acreditamos como Kulcsar (2001) que o estágio supervisionado deve ser considerado um instrumento fundamental no processo de formação do professor, onde poderá auxiliar o aluno a compreender e enfrentar o mundo de trabalho e contribuir para a formação de sua consciência política social.
Pode-se considerar o estágio como um momento privilegiado em que a indissociabilidade teoria-prática assume seu caráter mais explícito, pois o estudo dos fenômenos no contexto em que estes ocorrem, favorece a sua compreensão de modo mais pleno. A importância do estágio para o aluno em processo de formação pode ser atribuída, principalmente, à possibilidade que este oferece para a construção da identidade profissional, o que remete à necessidade de constante reflexão e análise crítica da prática profissional.
Nesta perspectiva acreditamos que os professores regentes das Escolas de Educação Básica podem se tornar parceiros efeitos nesta caminhada oportunizando que o estagiário conheça e compartilhe suas práticas, experiências e saberes, podendo tornar-se então um tutor colaborando na formação inicial do estagiário.
Por outro lado, se a universidade pode e deve prestar ajuda as escolas e profissionais que nelas estão inseridos através de parcerias e processos de formação continua, a própria universidade passa por reformulações atrás da construção e institucionalização de novos programas e currículos, por isso, necessita estabelecer condições de parcerias efetivas entre eles, a necessidade de articulação das Instituições de Ensino Superior (IES) com as Escolas de Educação Básica (EEB) para a implementação de ações colaborativas tanto na formação inicial como na formação continuada destes profissionais. Neste sentido torna-se importante compreender melhor as possibilidades e os limites para essa articulação, estabelecendo, promovendo e avaliando mecanismos de parceria.

DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO:

Tendo como base o exposto acima podemos dizer que esta pesquisa é um estudo de caso de caráter quanti-qualitativo e para tanto, os instrumentos previstos para serem utilizados na coleta de dados foram a análise documental dos projetos políticos pedagógicos das escolas, questionários semi-abertos, entrevistas áudio gravadas com professores e equipes diretivas de cinco Escolas Publicas de Educação Básica da cidade de Santiago, e por fim analise e observação de aulas e registros escritos de acadêmicos, estagiários de física e matemática da URI Campus de Santiago.
Neste trabalho apresentaremos alguns resultados já sistematizados relativos a um questionário semi-aberto contendo 27 questões e uma entrevista semi-estruturada realizados com membros das equipes diretivas destas escolas.Com estes instrumentos utilizados e já analisados, centramos nossa análise em identificar primeiramente dessas equipes as seguintes questões de pesquisa? O que as equipes diretivas pensam e como agem em termos de possíveis necessidades formativas próprias e dos profissionais que atuam em suas escolas? Como percebem/vêem as formas de colaboração entre a URI - Campus de Santiago e as Escolas? Como concebem os processos de formação continuada e como agem em relação aos mesmos? Qual a colaboração efetiva das Escolas de Educação Básica em relação os estágios curriculares supervisionados e a formação inicial dos futuros profissionais da área de Educação?
A seguir descreveremos os procedimentos realizados em relação a cada um dos instrumentos utilizados

a) Procedimentos adotados na elaboração, aplicação e análise dos questionários:
Inicialmente foi elaborado um questionário composto por 27 questões semi-abertas. Tal questionário foi estruturado e reformulado tendo como base um questionário elaborado pela equipe de investigação do (COTESC) de Santa Maria, onde a orientadora do projeto de Santiago faz parte.
Tais reformulações ocorreram pois a realidade de Educação vivenciada na cidade de Santiago é diferenciada pois esta além de integrar a 35ª Coordenadoria Regional de Ensino também sofre influências pela forte presença da URI Santiago, o que difere basicamente da realidade de Santa Maria que além de integrar a 8ª Coordenadoria Regional de Ensino sofre amplas influências da UFSM, UNIFRA e outras universidades. Com este questionário procuramos levantar informações relativas às necessidades formativas dos professores em serviço, processo de relação/colaboração entre a universidade e a escola, processos de formação continuada e concepções relativas aos estágios curriculares supervisionados.
Foram entregues questionários para todos os membros das Equipes Diretivas de todas as 5(cinco)Escolas de Ensino Médio de Santiago. Para tanto, realizamos reuniões com cada escola para entregar os questionários e explicar o significado e a importância do preenchimento dos mesmos. Foi entregue para todas as escolas um total de 25 (vinte e cinco) questionários, dos quais, foram recolhidos 6(seis)
A tabulação das informações deu-se a partir da análise e digitação das respostas organizadas em quadros e agrupadas por questão.

b) Procedimentos adotados na realização e análise das entrevistas:
Neste segundo momento, realizamos uma entrevista semi-estruturada cujo roteiro pré-estabelecido continha 9(nove) questões gerais, sendo destas 2(duas) centradas nos processos de colaboração entre universidade e escola, 2(duas) questões direcionadas para a formação continuada de professores e necessidades formativas e 3(três) questões relacionadas aos estágios curriculares supervisionados.
A realização desta entrevista tinha dois objetivos básicos:
1) Contatar profissionais de escolas que já haviam respondido aos questionários para aprofundar informações iniciais e necessárias.
2) Contatar profissionais de escolas que não haviam respondido aos questionários para coletar novas informações, visto que o retorno que tivemos em relação aos questionários devolvidos foi muito pequeno, em torno de 24%.
Para realização das entrevistas procuramos seguir os passos elencados a seguir:

1) Escolha de um dos membros de cada equipe diretiva para ser entrevistado;
Para tanto, entramos em contato novamente com as equipes e agendamos uma reunião. Pela nossa preferência a entrevista teria ocorrido com todos os Diretores(a), por considerarmos importante ter as informações do profissional que, pela natureza do cargo, deve ter uma visão global da escola. Como nem todos os diretores(a) mostraram disponibilidade para a efetivação da entrevista, convidamos então outros membro da equipe que se disponibilizaram a participar. Na maioria das escolas foi o Coordenador(a) Pedagógico(a), pois é um profissional que também tem um envolvimento diário com os professores e com os problemas pedagógicos da escola.
2) Realização das entrevistas com os membros escolhidos;
3) Transcrição das entrevistas;
4) Tabulação das respostas obtidas;
5) Análise das respostas obtidas
Para tanto, a equipe do projeto fez reuniões sistemáticas com o objetivo de analisar e discutir detalhadamente as respostas obtidas.

c) Sistematização das informações:
Como as informações foram obtidas a partir do uso de dois instrumentos diferentes, inicialmente sistematizamos as informações coletadas separadamente, e depois buscamos uma articulação entre os dois conjuntos através de idéias semelhantes e significativas para poder formular e chegar a uma conclusão.
Cada conjunto de respostas foi agrupado a partir da indicação da idéia central contida em cada resposta tabulada.
Foi possível categorizar estas respostas, tendo como base os objetivos iniciais propostos para serem investigados e diagnosticados no projeto, conforme tabela em anexo.

CONCLUSÃO:
Os membros das equipes diretivas das Escolas Estaduais de Ensino Médio de Santiago, ao serem questionados sobre suas concepções relativamente aos processos de colaboração universidade-escola, referem-se a aspectos que apontam para a necessidade de que haja maior articulação entre escolas de Educação Básica e Universidade (URI), no sentido de que sejam desenvolvidas parcerias mais efetivas entre as mesmas, pois essas escolas ainda não concebem que sua participação seja importante e fundamental nas atividades de formação inicial.
Mas também apontam que a universidade como instituição formadora não deixa claro perante as escolas o que elas podem fazer e devem fazer para cumprir seu papel de colaboradora, especificamente em relação aos estágios acadêmicos.
Os membros das equipes diretivas apontam algumas dificuldades que as atuais políticas educacionais impõem ao sistema de ensino, como a falta de recursos financeiros e/ou materiais, as quais impedem que a escola desenvolva continuamente projetos ou programas de formação o que faz com que a formação dos profissionais em serviço aconteça esporadicamente e na maioria das vezes não atinge as reais necessidades formativas dos professores envolvidos nesta formação.
Por fim, para que a tutoria escolar venha tornar-se algo possível no futuro, considerando o diagnóstico inicial que estamos fazendo, acreditamos que as escolas precisam passar inicialmente por uma reestruturação de suas concepções no sentido de buscar articular ações colaborativas duradouras e permanentes com a Universidade (URI) que reflitam na sua prática. A universidade por sua vez pode mostrar seu papel, ou seja, trabalhar e melhorar tais concepções favorecendo assim a troca e formação mútua entre os profissionais dos dois níveis de formação.
A partir dessas parcerias estabelecidas e firmadas acreditamos que a formação dos futuros profissionais da educação possa ser tratada em comum acordo e com a participação dos dois níveis de formação, a Universidade e a Escola de Educação Básica, resultando numa formação mais completa dos futuros profissionais da educação, e numa reflexão das práticas educativas realizadas dentro das Escolas de Educação Básica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
NÓVOA, A. A formação continua dos professores no contexto da reforma. In: Formação continua de professores. Realidade e perspectivas. Aveiro, Universidade de Aveiro, 1991.

PASTORE, J. O futuro do trabalho no Brasil e no mundo, V.15, n.65, p.31-38, 1995.

KULCSAR, R. A prática de ensino e o estágio supervisionado, 7ed, Campinas/SP: Papirus, 2001.

GARCIA, C. M.Formação de professores para uma mudança educativa. Porto/POR: Editora Porto. 1999.

GARCÍA, M.C, A formação de professores. Porto/POR: Editora Porto, 1995.

PIMENTA, S.G; O estágio na formação de professores: Unidade teoria e prática 4ed, São Paulo, 2000.

VEIGA, A.P.L . Projeto Político Pedagógico da Escola (Uma construção coletiva). Campinas/SP, Papirus, s/d.

VEIGA, A. P.L. Formação e Trabalho Pedagógico. Coleção Magistério. Campinas/SP:Editora Papirus, s/d

YARA LYGIA, N.S; INÊS, M.P.F; Contribuição à formação inicial e continuada de professores de ciências: O modelo de tutoria. Piracicaba/SP: UNIMEP, s/d

RESOLUÇÃO, CNE/CP 2, de 19 de fevereiro de 2002.(*). Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena

AttachmentSize
edsoinj.jpg68.44 KB

Comments

Valdes

Parabéns pelo artigo, muito bom