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Racionalidade e determinação Guarani-Kaiowa na experiência radiofônica de Dourados

Monografia da Marília sobre a experiência da rádio indígena Awaete Mbareta (Dourados - Mato Grosso do Sul). É a mesma rádio que este texto mais antigo se refere.

Introdução

"Boa tarde a você que mora na Vila Alvorada. Quem está cumprimentado você é o índio Kaiowa da reserva indígena Bororó diretamente da 107,1, FM Awaete Mbarete. Vocês que estão ouvindo, não reparem a minha voz, que daqui a pouco o Epitácio de Sousa vai falar com vocês e ele vai falar melhor que eu um pouquinho. É assim mesmo.(...) Desde já quero falar pra vocês que índio está pronto pra colocar a língua no mundo.(Ambrósio Ricarde, jan/2004)"

Estranhamento, curiosidade, motivação. Que sentimentos essa fala atribui ao locutor e quais ela pode causar em quem a ouve (ou lê)? Quem seriam os/as Kaiowa e por que o desejo de colocar sua língua no mundo? A quem se dirige a provocação de Seu Ambrósio?

Desde a década de 50, em países latino-americanos de língua espanhola, se desenvolvem experiências de rádio no meio indígena surgidas no âmbito dos movimentos sociais. Experiências como as ligadas à Fundación Escuelas Radiofónicas Populares del Ecuador (ERPE) e a Coordenação de Rádios Populares e Educativas (CORAPE) e as rádio mineiras da Bolívia, foram importantíssimas na criação de espaços onde os vários grupos destes países puderam dizer suas verdades e expor, dialogar e fortalecer suas expectativas frente às sociedades nacionais. No Brasil, a radiodifusão popular é marcada por décadas de atraso, quadro que demonstra tanto uma fragilidade do modelo de democracia do país como uma tendência de tratar os povos colonizados sempre como marginais, 500 anos depois, excluindo-os da arena das discussões políticas.

Na língua Guarani-Kaiowa Awaete Mbarete significa índio nato tem poder. Desde setembro de 2002, esse é também o nome da emissora de rádio de onde fala S. Ambrósio, no Posto Indígena de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Criada por um projeto de comunicação e saúde, a emissora adquiriu novas funções em seu processo de apropriação e condução por um grupo Guarani-Kaiowa. Este trabalho busca mostrar como as relações étnicas vividas na área e as determinações desse povo condicionaram essa experiência, desde sua inauguração em 2002, até agosto de 2004, quando ela interrompe provisoriamente suas transmissões.

Dois momentos distintos de contato com essa cultura antecedem esse trabalho: o primeiro, foi durante as atividades que implementaram o projeto da rádio. O segundo foi em uma viagem autônoma realizada para acompanhar uma ação de retomada de terras por guaranis numa área mais ao sul de Dourados, próxima à cidade de Amambaí. Nessas vivências, o contato com a religiosidade e com a forma de organização e ação desse grupo impulsionou o interesse em conhecer mais e compreender melhor como se deram (e se dão) os processos desencadeados e conduzidos por ele na experiência da rádio.
Entre 10 e 28 de fevereiro de 2005, foi realizado um trabalho de campo na área indígena de Dourados, uma imersão no universo Kaiowa. No planejamento, havia sido programado um mês de permanência na área, mas devido às condições materiais e de tempo reduzidas, essa etapa durou pouco mais de duas semanas.

O objetivo da viagem era, a partir da convivência com o grupo, conhecer as formas de apropriação e de uso da emissora no interior da área, observando as relações que as transmissões mediavam. Quando ela se realizou, a rádio já havia saído do ar, o que excluiu a possibilidade de uma observação prolongada sobre a prática da experiência e valorizou as entrevistas como meio de obtenção de dados. Outros documentos também foram obtidos.

Durante os dias na área, ela foi insistentemente percorrida em busca de pessoas que participaram de alguma forma das transmissões e que pudessem narrar fatos e relações que viveram por meio dela. Esta monografia se apresenta como um esforço em sistematizar essa experiência de campo, apoiada nos dois contatos anteriores, a partir de estudos teóricos a respeito do grupo indígena Kaiowa, protagonista dos eventos que se busca compreender aqui.

O primeiro capítulo mostra os fundamentos teóricos e metodológicos do trabalho de campo e desta reflexão. Nele são discutidas algumas proposições de autores recentes que apresentam alguns caminhos para o estudo da alteridade, entendida aqui nas culturas que se distinguem daquelas conformadas segundo os padrões de racionalidade cristã-ocidental e cientificista.

O segundo capítulo apresenta brevemente os/as Kaiowa, seu pensamento e suas determinações na história no Mato Grosso do Sul e especificamente do Posto Indígena de Dourados, área onde se desenvolve a experiência em foco.

O terceiro capítulo traz, em falas colhidas no trabalho de campo, um pouco do que foi a trajetória da FM Awaete Mbarete entre esse povo e as relações que a conformaram. O quarto e último busca analisar essas falas a partir de algumas categorias da racionalidade Kaiowa, que auxiliam uma compreensão menos etnocêntrica dessa experiência popular indígena.

Como nesta introdução, várias falas de um senhor chamado Ambrósio, que pode ser considerado um poeta e intelectual Kaiowa, costuram as reflexões desse trabalho, com toques do seu pensamento e de sua forma peculiar de elaborar a realidade.

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