Textos e Análises

Análises ou sínteses.

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http://www.radiolivre.org/radiola/cgi-bin/wiki.cgi/EntrevistaComGuattari

Minorias na mídia: a rádio livre
Entrevista de Félix Guattari pro curso de jornalismo da PUC-SP, 26 de agosto de 1982.

PUC - Poderia nos dizer alguma coisa sobre a situação das rádios francesas antes da eclosão do fenômeno das rádios livres?

Guattari - Na França, tanto o rádio como a TV estiveram sob a tutela do Estado durante todo o pós-guerra. Aliás, não se pode separar um do outro: a administração do rádio tornou-se subjacente a essa máquina enorme que é o setor de TV -- máquina de produção industrial de mídia. Essa máquina incorpora os partidos que têm uma certa concepção de Estado; incorpora também uma grande quantidade de assalariados.

Segundo representantes da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), a repressão é um ato político do Estado, direto (fechamento) ou indireto (omissão na apreciação de autorização para funcionamento).

Uma rede de rádios livres pode ser a infra-estrutura necessária para a comunicação entre seus nós - rádios ou indivíduos. A rede não é um coletivo, federação ou associação - e portanto não emite opinião: a rede não é nada senão seus pontos. A rede não tem propósitos, quem os tem são seus participantes. Sua função é agir como meio de propagação. Uma vez estabelecida, coletivos podem usá-la para o intercâmbio de conteúdo, experiências, questões legais e até para assistência material.

Sem debate, governo impõe padrão estadunidense (Iboc) e atinge duramente as rádios livres.
Por Bruno Zornitta e Raquel Junia (redacao arroba fazendomedia.com). Retirado de http://fazendomedia.com/novas/movimentos260206.htm.

A maneira como está sendo conduzido o processo de digitalização do rádio no Brasil aponta para um possível "cala-boca tecnológico" das rádios livres e comunitárias. Esse foi o alerta dos movimentos sociais na Audiência Pública sobre rádio digital, realizada na última quarta-feira, dia 22, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Os movimentos receiam que os testes que têm sido realizados com o padrão de rádio digital estadunidense Iboc (In-Band-On-Channel) façam parte de uma estratégia para tornar sua implantação no país um "fato consumado". A preocupação deve-se ao fato de que o Iboc reduz a capacidade de democratização do espectro de radiodifusão, dificultando o surgimento de novas emissoras.

Por Takashi Tome

A data: 25 de setembro de 2004, um ensolarado sábado na capital paulistana. O local: Museu da Imagem e do Som. O evento: Lançamento do livro “Rádio – Sintonia do Futuro”, de André Barbosa Filho, Ângelo Piovesan e Rosana Beneton, organizadores. A cena: Logo após a palestra dos autores, um rapaz lança uma pergunta sutil: “Se tudo – o rádio, a televisão – será digital, e se todos eles serão baseados em MPEG, o que irá diferenciar um do outro? Onde termina um e começa a outra?”

Pergunta capciosa. Merece reflexão. O rapaz tem razão. Num futuro próximo deveremos ter rádio e televisão digitais. O rádio digital não será mais o que é hoje, ou seja, um aparelhinho pra gente apenas ouvir. Ele poderá ter um pequeno display, onde poderemos ver o nome da música e do intérprete (convenhamos: Isso sempre fez falta. Quantas músicas bonitas, alegres ou tristes eu ouvi, e queria saber o nome da música ou do intérprete mas não deram, passou e nunca mais eu soube...). Bem, esse display poderá ser um pouco mais requintado e poderemos ver então a capa do CD (ops! quase digo “capa do disco”...) ou o que seria melhor: a cara do artista. Depois, na hora do noticiário, poderemos ver as fotos das notícias, como se fosse no jornal. Ou, então, até pequenos segmentos de vídeo, em baixa resolução, como, por exemplo, o repeteco do gol do timão. Goooooooooolllllll !!!!

Por Prof Adilson Cabral, Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Enquanto as rádios comunitárias de todo o país se envolvem prioritariamente na preocupação mais do que pertinente de sua continuidade - visto que convivem, a cada dia, com a apreensão em terem seus equipamentos levados pela Polícia Federal e seus integrantes presos - outro duro golpe está sendo orquestrado em relação a sua continuidade no âmbito da adoção de uma nova tecnologia para o rádio digital.

Diante de outros sistemas disponíveis – conforme Takashi Tome nas edições 20 a 22 do SETE PONTOS – o Minicom está investindo no padrão americano IBOC (In-Band-on-Channel) e estimulando a realização de testes em rádios comerciais com a aprovação da ANATEL e o envolvimento das emissoras autorizadas até o momento, que deverão gastar de R$ 150 mil a R$ 200 mil com a adaptação.

Por Prof. Adilson Cabral, Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Os testes de transmissão em Rádio Digital estão em franco andamento. Até o momento, autorizados pela ANATEL, encontram-se 13 rádios comerciais testando o sistema americano IBOC (In-Band-on-Channel) e apenas a Radiobrás testando o sistema europeu DRM (Digital Radio Mondiale). A unanimidade entre as rádios comerciais em torno do IBOC passa a impressão de que a decisão do sistema a ser adotado pelo Brasil já está encaminhada e não haverá problemas em relação a sua implementação pelo governo, tendo sido inclusive anunciada pela mídia.

Por Claudia Abreu, jornalista

As diversas denúncias sobre as atitudes do ministro Hélio Costa em relação ao tema da implantação da radiodifusão digital e seu boicote à política de implementação do software livre pelo governo Lula deixaram militantes defensores da democratização da comunicação indignados. O evento “De Costas para Hélio Costa”, realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo, foi uma mostra de que o tema podia e devia ser popularizado. Em todos os locais e entidades onde discutíamos o tema e a organização do ato, a solidariedade às reivindicações era imediata. Imediata também a percepção de que as pessoas estavam fora do debate porque consideravam os temas (rádio, tv digital e software livre) no âmbito da tecnologia, sem terem ainda atentado às questões políticas subliminares.

Outro trecho do livro Cultura Livre (páginas 200 a 205), do advogado norte-americano Lawrence Lessig que trata do combate às webradios pela Associação Norte Americana de Gravadoras (RIAA). O texto está licenciado em Creative Commons e a divisão de parágrafos foi modificada para facilitar a visualização. O livro completo pode ser baixado no final deste artigo.

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