Textos e Análises

Análises ou sínteses.

A DATA FOI CRIADA EM HOMENAGEM À GREVE GERAL, OCORRIDA EM 1º DE MAIO DE 1886 EM CHICAGO.
NESTA DATA MILHARES DE TRABALHADORES FORAM ÀS RUAS REINVINDICAR JORNADA DE TRABALHO DE OITO HORAS (TRABALHAVA-SE ATÉ 17 HORAS DIÁRIAS). A REPRESSÃO AO MOVIMENTO FOI BRUTAL: PRISÕES, FERIDOS E MUITAS MORTES NO CONFRONTO DA POLÍCIA COM OS OPERÁRIOS.
NO DIA 4, NOVAS MANIFESTAÇÕES E ALBERTO PARSONS, TIPÓGRAFO 39 ANOS APRESENTOU-SE VOLUNTARIAMENTE À POLÍCIA DIZENDO "SE É NECESSÁRIO ALGUÉM SUBIR AO CADAFALSO PELOS DIREITOS DOS TRABALHADORES, AQUI ESTOU". ELE, MAIS AUGUST SPIES, TIPÓGRAFO 32 ANOS; ADOLF FISCHER, TIPÓGRAFO 31 ANOS; GEORGE ENGEL, TIPÓGRAFO 51 ANOS; LUDWIG LINGG, CARPINTEIRO 23 ANOS; MICHAEL SCHEAB, ENCADERNADOR 34 ANOS; SAMUEL FIELDEN, OPERÁRIO TEXTIL 39 ANOS. OS QUATRO PRIMEIROS FORAM CONDENADOS À FORCA, SENDO EXECUTADOS EM 11 DE NOVEMBRO DE 1887, MENOS LUDWIG LINGG QUE SE SUICIDOU NA CADEIA, OS DEMAIS A PENAS DE PRISÃO E TRABALHOS FORÇADOS, SENDO LIBERTADOS EM 1

Desde o último semestre de 2006 inúmeras Rádios Livres e Comunitárias tem sido alvo de repressão da Polícia Federal. Foram fechadas a Rádio Filha da Muda - Acre (26/01), a Rádio Várzea - São Paulo (02/08/06) , 20 emissoras em Gama (29/03), mais 19 emissoras consideradas irregulares na Grande São Paulo (26/03), a Rádio Heliópolis - SP (20/07/06), 4 rádios comunitárias no Alto Parnaíba - MG, além de uma grande operação de fechamento na Grande BH (14/03).

Em Gama, cidade satélite do Distrito Federal, a operação foi chamada de "Fora do Ar"; pessoas foram presas, algemadas e rádios foram arrombadas. As Rádios Várzea e Filha da Muda tiveram seus equipamentos roubados pela Polícia, em operações que descumpriram os rigores da lei. Armando Coelho Neto, presidente da Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, considerou duvidosa a operação que fechou 19 rádios em São Paulo.

O problema central evidenciado por episódios recentes envolvendo concessões de rádio e TV tem raiz na combinação entre as bases da legislação e a forma como o poder público tem atuado em relação ao setor de comunicação.

Retirado do sítio Informação, Comunicação e a Sociedade do Conhecimento.

Esta página apresenta uma nova realidade possível em termos do uso comunitário do espectro eletromagnético. A transição é perfeitamente possível e provavelmente vai se deslanchar dentro de alguns anos. Suas consequências são poderosíssimas.

No centro da transformação está uma nova tecnologia, em elaboração, para a construção de transmissores e receptores de rádio (ou televisão) dotados de "inteligência", leia-se capazes de executar software.

Entre as consequências desta tecnologia estão:

  • possibilidade do uso comunitário do espectro eletromagnético, sem a necessidade de regulamentações restringindo o acesso ao espectro
  • número praticamente ilimitado de estações de rádio e televisão, irradiando em baixas energias

O projeto GNU tem desenvolvido há alguns anos o projeto GNU Radio, cujo objetivo é permitir a manipulação de sinais de radiofrequência por software, como por exemplo codificar e decodificar um sinal FM.

Usando o GNU Radio num hardware adicional, como por exemplo uma placa de som, é possível até a transmitir e receber certos sinais, dependendo é claro da taxa de amostragem e da faixa de frequência de operação do equipamento.

Há também um hardware genérico que pode ser conectado a um computador através da porta USB e que permite a transmissão e recepção de virtualmente qualquer padrão de comunicações em rádio frequência, de FM até os padrões de televisão digital. O design desse hardware genérico - que é conhecido como GNU Radio USRP (Universal Software Radio Peripheral) - está licenciado em copyleft, o que é o mais importante de tudo.

O custo da placa ainda é alto, mas não muito mais caro do ue um transmissor FM usado pelas rádios livres brasileiras.

Felix Guattari (1930 - 1992)

Militar é agir. Pouco importam as palavras, o que interessa são os atos. É fácil falar, sobretudo em países onde as forças materiais estão cada vez mais na dependência das máquinas técnicas e do desen­volvimento das ciências.

Derrubar o czarismo implicava na ação em massa de dezenas de milhares de explorados e sua mobilização contra a atroz máquina repressiva da sociedade e do Estado russo, era fazer as massas tomarem consciência da sua força irresistível face à fragilidade do inimigo de classe; fragilidade a ser revelada, a ser demonstrada pela prova de forças.

Para nós, nos países "ricos", as coisas se passam de outro jeito; não é tão óbvio que tenhamos que enfrentar apenas um tigre de papel. O inimigo se infiltrou por toda parte, ele secretou uma imensa in­terzona pequeno‑burguesa para atenuar o quanto for possível os con­tornos de classe. A própria classe operária está profundamente infil­trada. Não apenas por meio dos sindicatos pelegos, dos partidos trai­dores, social‑democratas ou revisionistas... Mas infiltrada também por sua participação material e inconsciente nos sistemas dominantes do capitalismo monopolista de estado e do socialismo burocrático. Pri­meiro, participação material em escala planetária: as classes operárias dos países economicamente desenvolvidos estão implicadas objetiva­mente, mesmo que seja só pela diferença crescente de níveis de vida relativos, na exploração internacional dos antigos países coloniais. De­pois, participação inconsciente e de tudo quanto é jeito: os trabalha­dores reendossam mais ou menos passivamente os modelos sociais dominantes, as atitudes e os sistemas de valor mistificadores da bur­guesia ‑ maldição do roubo, da preguiça, da doença, etc. Eles reproduzem, por conta própria, objetos institucionais alienantes, tais como a família conjugal e o que ela implica de repressão intrafamiliar entre os sexos e as faixas etárias, ou então se ligando à pátria com seu gostinho inevitável de racismo (sem falar do regionalismo ou dos particularismos de toda espécie: profissionais, sindicais, esportivos, etc., e de todas as outras barreiras imaginárias que são erguidas artificialmente entre os trabalhadores. Isto fica bastante claro, por exemplo, na organização, em grande escala, do mercado da competição esportiva).

Por bifo (trad. 9s) / http://darksnow.radiolivre.org/ataque_comunicacao.ogg
Original em francês: http://multitudes.samizdat.net/Les-radios-libres-et-l-emergence-d.html
Retirado de http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/12/368808.shtml

par Bifo (Franco Berardi)

Mise en ligne le dimanche 25 juin 2006

A comunicação independente que, nas últimas décadas, se manifesta nas rádios livres, o mediativismo, as tvs de rua, a subversão (?) etc podem ser considerados como expressão e a prefiguração do que felix guatarri chavama ?civilização pós mediática?. A independência da comunicação é um desafio frente (contra?) ao poder. Para compreender o sentido, é útil partir da noção guattariana de agenciamento coletivo e refletir sobre a diferença entre o conceito de automatismo e aquele de dispositivo técnico.

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